| Hoje temos um novo-velho personagem
na cidade: a pessoa idosa!
Sem que percebamos, como sociedade,
envelhecemos. Isso quer dizer
que vivemos mais, muitos de nós. A
longevidade é uma conquista civilizatória.
Um sucesso!
Por que não festejamos?
Por que, ao nos depararmos com
cidadãos embranquecidos, não os
saudamos com alegria?
Por que não estamos habituados
a olhar a nossa cidade como olhamos
uma paisagem durante uma viagem,
por exemplo?
Uma celebração do novo!?
Apenas entramos em nossos carros,
ônibus, motos e como autômatos
seguimos desempenhando funções,
apáticas ao fato de que ao acordarmos
estamos vivos e isso significa
que é real o estar vivo! Real a ponto
de, com nossos olhos, darmos vida
ao que nos cerca. Detalhes como por
exemplo a presença de velhos a nossa
volta. Velhos e ainda assim, pessoas.
E, com mais apuro; pessoas
diferentes no vigor, na agilidade, no
transito, no tempo.
Pessoas íntimas desses espaços
urbanos. Pessoas cúmplices de histórias
que ignoramos. Pessoas que
já trilharam esses mesmos caminhos
por muito tempo e que agora são desalojadas
pela nossa pressa, nossa
indiferença, nossa irritação, porque...
são lentas.
Nada mais estressante no trânsito
que pessoas lentas. Pessoas que
precisam de ajuda, pessoas que hesitam,
que parecem ignorar o essencial:
a urgência, o relógio, o compromisso.
Pessoas que parecem estar
fora da vida.
Quanta arrogância!!
Essas pessoas já foram elas, donas
da cidade. Já viveram o que vivemos
hoje e sobreviveram sem tanta
celeridade, pois essa, a pressa, é da
modernidade. As “ex-pessoas” construíram
a nossa cidade e devem agora
exercer o direito que conquistaram
por estar vivos, de usufruir dela. E ainda,
como testemunhas de que viver
é preciso, podem nos ensinar com
seu vagar, pois mais importante que
o nosso ritmo frenético e o olhar desfocado,
é o encontro entre homens
que humaniza o espaço publico e
engrandece a cidade.
Pode parecer ironia mas é exatamente
essa característica que os cidadãos
idosos encarnam, o da diferença,
que pode atuar como instrumento
na construção da cidadania de
nossos adultos, jovens e crianças. E
a diferença não se localiza apenas na
aparência e no andar trôpego. A diferença
também assinala o entendimento
de que ter “direitos”, “deveres”.
O respeito e a deferência que os idosos
merecem devem ser cultuados
pelos agentes formais de educação,
que representam a lei e a ordem da
cidade, como policiais e agentes de
transito.
Personagens de destaque hoje
submetidos a desgastes e declínio da
investidura moral que atualmente abalam
a figura pública.
Reverenciar o idoso é destacá-lo
como cidadão, é educar os novos que
precisam de inspiração. É resgatar a
autoridade moral da função e resgatar
a história e o tempo! |
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